Principais Escrituras

Verdades eternas reveladas em todos os tempos.

Diz-se que os Vedas (as mais antigas escrituras Hindus) não têm começo nem fim. Isso pode soar estranho para a maioria das pessoas. Como pode um livro não ter começo nem fim. Mas, os Vedas não significam livros. Significam o tesouro acumulado de leis espirituais, descobertas por diferentes pessoas, em tempos diferentes. Assim como a lei da gravidade existia antes de sua descoberta, e continuará existindo mesmo que toda a humanidade se esqueça dela, o mesmo acontece com as leis que governam o mundo espiritual”.

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Os Vedas

Os Vedas são as mais antigas e autorizadas escrituras da Religião Eterna [Sanatana Dharma], datando de 4 a 10 mil anos A.C. sendo composto por 1000 hinos. Todas as outras escrituras são subordinados a eles. A palavra 'Veda' veio da raiz 'vid', 'conhecer'. Os Vedas não foram compostos por qualquer pessoa mas sim revelados aos rishis - os sábios da antiga Índia. Portanto são chamados 'apaurusheyas'. Os Vedas também são chamados ‘shruti ', ‘o que que é ouvido'. Há quatro Vedas: Rig-veda, Yajur-veda, Sama-veda e Atharva-veda. Cada um destes tem quatro divisões: Samhita, Brahmana, Aranyaka e Upanishads.

A palavra Vedanta - de origem sânscrita - é uma combinação de duas outras: "Veda" que significa conhecimento e "anta" que significa "a parte final" ou a "essência". E assim temos: A essência dos Vedas. Neste contexto, entende-se por "conhecimento" não aquele conhecimento limitado que adquirimos através dos livros. "Conhecimento", aqui, significa o conhecimento de Si mesmo, de sua real natureza e capacidade. Vedanta é, pois, a busca do profundo conhecimento de Si Mesmo.

O mundo do conhecimento pode ser secular ou espiritual, mas todo conhecimento tem natureza sagrada para a Vedanta. Podemos iniciar por um conhecimento secular, e continuarmos a busca na direção do espiritual. Quanto mais conhecimento adquirirmos, mais riqueza poderemos criar e compartilhar. Fora do trabalho eficiente inspirado pelo conhecimento não existe outro meio de se alcançar a plenitude da existência. O Conhecimento de Si Mesmo é o valor supremo, a maior e a mais esplêndida façanha da vida.


Os Upanishads

Schopenhauer disse: ‘Em todo o mundo não existe estudo tão benéfico e tão inspirador quanto o dos Upanishads. Eles são produto da mais alta sabedoria. “Está destinado, mais cedo ou mais tarde, a tornar-se a fé do povo”. E mais, “O estudo dos Upanishads tem sido o consolo da minha vida e será o consolo de minha morte”.

Estes são os registros das experiências transcendentais adquiridas pelos Rishis seguindo técnicas contemplativas diferentes. Estas experiências são de fato revelações sobre o Atman, sobre Brhaman, e outras eternas verdades universais com relação a Verdadeira Realidade.

Estas verdades eternas e princípios do mundo espiritual, apresentadas e disseminadas pelos Upanishads, foram reunidos e classificados por Badarayana na forma de sutras ou aforismos. Estes sutras conhecidos como Brahma Sutras fundamentam o sistema de filosofia conhecida como Vedanta Darshana.

Os Upanishds também são chamados Livros da Floresta ou Aranyakas


O Bhagavad Gita

Extraído do grande épico, Mahabharata, o Gita ou a canção do Senhor contém a essência do Hinduísmo e da Vedanta exposta em 18 capítulos. Ele aprsenta um diálogo entre Krishna (a encarnação do Senhor) e Arjuna (seu discípulo) que se dá em meio a um campo de batalha, no momento de se iniciar uma batalha. Este diálogo mostra a pedagogia espiritual de Sri Krishna que por fim leva seu discípulo a lutar com coragem e consciência, e obter a vitória.

O Gita já foi explicado de diversas maneiras. Três tipos de mestres antigos comentaram o Gita, de acordo com seus pontos de vista. Sri Sankaracharya, o defensor da Advaita Vedanta (não-dualismo), escreveu seu comentário sobre o Gita com interpretação da Advaita.

Assim também ocorreu com Sri Ramanuja, o defensor da filosofia Visishtadvaita (não-dualismo qualificado), e Sri Madhva, defensor da filosofia Dvaita (dualismo), pois ambos interpretaram o Gita justificando suas próprias perspectivas.

Cada verso do Gita reflete seus profundos ensinamentos – por exemplo, a nossa verdadeira natureza é o Atman imortal e indestrutível, a despeito das identificações aparentes com o corpo; fazer o próprio dever sem preocupação excessiva com ganhos ou perdas; permanecer equânime nos altos e baixos da vida, etc.

O Gita, embora pequeno, contém todos os princípios relacionados ao Atman, Isvara, ao Jiva, e à criação, que se encontram na seção dos Upanishads nos Vedas. Em certas passagens repete-se a própria linguagem dos Upanishads. Esse é o motivo pelo qual o Gita é considerado como um dos Upanishads, chamado de ‘Gitopanishad’.

Cada capítulo do Gita é uma Yoga

Cada capítulo do Gita é denominado Yoga, que significa juntar, unir, levar em direção a Deus. Por exemplo, o primeiro capítulo é chamado Visada Yoga, e qual é a razão? Visada, o desânimo de Arjuna, tornou-se o instrumento que o conduziu a Deus. Assim também foram nomeados os outros capítulos: Sankhya Yoga, Karma Yoga, Sannyasa Yoga, etc.

O significado espiritual do Gita

O estudo do Gita nos traz uma mensagem, nos traz paz mental e oferece a solução para os problemas da vida. A História é testemunha das lágrimas de arrependimento derramadas por milhares de pessoas sem ética e desiludidos, que tiveram suas vidas transformadas e direcionadas a ideais mais elevados, como resultado do estudo do Gita.

Neste mundo, há de se enfrentar inúmeras batalhas, dia e noite – a luta contra os sentidos, luta pela subsistência, etc.; não há descanso ou paz. O Gita tem o propósito de mostrar o caminho para se vencer essas batalhas e atingir a verdadeira meta da vida humana.

 

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