
Calcutá,
1905 |
Sri Sarada Devi (1853-1920) é chamada afetuosamente de "Santa
Mãe" por milhões de pessoas ao redor do mundo. Sarada
Devi foi a esposa de Ramakrishna, companheira espiritual e uma gigante
em espiritualidade por seu próprio mérito. Viveu uma vida
muito simples, despretenciosa e extraordinariamente modesta, mesmo assim
sua vida e ensinamentos ressoam com a verdade da mais alta realização
espiritual. Como a grande discípula de Swami Vivekananda, Sister
Nivedita escreveu: “Nela se vêem realizadas aquela sabedoria
e doçura que a mais simples das mulheres pode alcançar.
E ainda, para mim a grandeza da sua cortesia e sua mente incrivelmente
aberta são quase tão maravilhosas quanto a sua santidade.
Sua vida é expressa no intenso silêncio da oração.”
Seu
Nascimento
A uns cem quilometros a oeste de Calcutá, está situada a pequena aldeia
de Jayrambati, onde nasceu a Santa Mãe. Apesar de ser uma aldeia atrasada,
a vida transcorria bastante feliz, antes de ser invadida pela malária,
que fez estragos durante a segunda metade do século dezenove.
A
monotonia da vida dos aldeões, com frequência, era interrompida pela
celebração das grandes festas religiosas hindus, tais como Durga Puja,
Kali Puja, Dol Purmina, etc, e pelo culto especial que se rendia a várias
deidades, entre elas, Shitala, Dharma, Shantinath ( a imagem de Shiva
) e Simhavahini, que era a Deidade tutelar de Jayrambati.
Sri
Sarada Devi nasceu em 22 de dezembro de 1853, e foi a primera filha
de Ramachandra Mukherji e Shiamasundari Devi. Nascida e criada na atmosfera
rural de Jayrambati, ela recebeu a mesma educação das aldeãs pobres
da India, pertencentes às castas altas. Era demasiado séria e recatada
para entregar-se aos jogos infantis, como faziam as meninas da sua idade.
Aghormani, que foi sua companheira de jogos costumava dizer: A Santa
Mãe era muito simples em seus hábitos. Durante as brincadeiras, gostava
de fazer papel de dona de casa. Entre seus brinquedos haviam bonecas;
mas ela costumava adorar muito devotadamente, com flores e folhas de
bilva, as imagens em argila de Kali e Lakshmi. Uma vez, por ocasião
do Yagaddhatri Puja, estava meditando tão profundamente que chegou a
identificar-se com a deidade a tal ponto, que Ramhridai Ghoshal de Haldepukur,
ao vê-la, experimentou grande assombro e reverência.
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O Casamento
Enquanto a pequena Sarada crescia, em outra parte da India a grande
alma a qual ela estava destinada passava por um grande período de desenvolvimento
espiritual. Sri Ramakrishna,nascido em 1836 em Kamarpukur, como terceiro
filho de Khudiram Chatterji, se havia tornado, em 1855, em sacerdote
de Kali, no templo de Dakshineswar. Desde a infância tinha un temperamento
muito devoto e místico. Perdeu
todo interesse pela vida mundana, e todo seu tempo passava em um estado
de absorção e práctica de austeridades. Se entregou totalmente à oração
e à contemplação, esquecendo de comer e dormir; não se dava conta do
passar dos dias e das noites. Fizeram
então Sri Ramakrishna retornar à casa paterna para administrar-lhe algum
tratamento;quando então estando Ramakrishna mais calmo resolveram aplicar-lhe
um remédio mais drástico: Arranjariam um casamento para ele.Pensaram
que um casamento seria a melhor maneira de atar sua mente ao mundo.
Em
seguida começaram as buscas de uma noiva conveniente;mas não foi tarefa
fácil. A família Chatteryi era pobre, e as somas que os pais que tinham
filhas para casar pediam como dote eram supeiores aos recursos
do senhor Rameswar. Para surpresa de todos Ramakrishna aceitou a ìdéia
de casar-se e vendo frustrados os esforços de seus pais para arranjar-lhe
uma noiva disse:
"Vã
é a vossa busca neste ou outro lugar. Ide a Jayrambati e alí,na casa
de Ramachandra Mukherji.achareis aquela que está destinada para mim".
Pouco tempo depois em maio de 1859 celebrou-se o casamento entre a pequena
Sarada e Sri Ramakrishna."
A Divina Esposa de Sri Ramakrishna
A Santa Mãe teve a oportunidade de se familirizar com Sri Ramakrishna
por volta de 1867, muito depois do casamento. Sri Ramakrishna não se
descuidou dela. Tomou-a sob Seus cuidados e, gradativamente, carinhosamente,
impartiu-lhe profundo conhecimento do caráter humano, ensinando-a como
viver no espirito de completa resignação a Deus. Ele, literalmente,
adorou-a como a Divina Mãe. Afirmando que ela e a Mãe Kali do templo,
eram uma só, despertou nela o sentido de maternidade a todas as criaturas.
O relato de sua vida simples, austera, auto-apagada e maternalmente
amante de todos, é realmente ímpar e ultrapassa todos os exemplos. Sua
vida foi uma longa quietude de oração e de singular devoção. Com transbordante
afeto, a Santa Mãe era o consolo infalível a todo coração amargurado
que buscava refúgio em Seus santos pés, paz eterna e liberação das ansiedades
e tribulações da vida do mundo. Homens e mulheres que se aproximavam
dela para serem desafogados da extrema tensão de suas aImas afligidas,
tornavam-se recipientes de suas bençãos imortais e de doces palavras
de amor e sabedoria que acalmavam as dôres pungentes de seus corações,
para sempre. Sua vida foi a síntese perfeita dos supremos ideais de
Gñana, Bhakti e Karma, raramente encontrados, em tão harmoniosa união,
em qualquer parte do mundo. Em sua vida de pura simplicidade, pureza,
piedade e auto-dedicação, o hindu atual descobriu a perfeição do ideal
da feminilidade, que tanto tem solidificado sua cultura. Ela era única
em ser a espôsa dedicada, a perfeita Sannyasini, a mãe afetuosa ,mestra
e preceptora. A Santa Mãe entrou em Mahasamadhi a 20 de juiho de 1920,
em Calcutá.
O
Magnetismo da Personalidade de Sarada Devi
Qual é a fonte do magnetismo deste nome e desta personalidade?
Mesmo um tênue conhecimento da sua vida nos fará concluir
que este magnetismo não provém de quaisquer aspectos da
sua personalidade que sejam reconhecidos pelo mundo moderno como significativos
em uma mulher. Por todos os aspectos externos, a Santa Mãe era
bastante comum, ou mais que comum. Rústica na simplicidade, quase
que iletrada, tímida e modesta, estava a quilômetros de
distância do tipo de mulher moderna ativa, educada e independente.
E ainda assim, sua vida encontra poderosos ecos de receptividade no
coração de todos os homens e mulheres, por mais simples
ou modernos que possam ser. É evidente que ela captou, na sua
vida e ser, o valor fundamental que reside por trás da feminilidade
da mulher e que transcende todas as distinções baseadas
meramente no sexo e seus atrativos. Este fato sozinho explica o seu
apelo universal, representando, como ela foi, não um tipo meramente
nacional ou racial, mas a realização da mulher como mulher,
a realização, em carne e osso, do Eterno Feminino.
Sarada Devi: Sua Eminência Espiritual
O próprio Sri Ramakrishna reconheceu a eminência espiritual
de Sri Sarada Devi. Diferente do rumo geral dos aspirantes espirituais
que abandonam todos os contatos mundanos ao entrarem na vida religiosa,
para quem existe as sanções das leis religiosas e costumes
por trás deles, Sri Ramakrishna acolheu Sarada Devi ao seu lado
quando ela, no devido tempo, veio requerer seus direitos junto a ele.
É um episódio profundamente comovedor das suas vidas,
que ajuda a revelar a essência dos dois. Sri
Ramakrishna estava em Dakshineswar, passando por verdadeiras tempestades
de estados e experiências espirituais; exceto por duas ocasiões
das suas curtas visitas à aldeia natal, ele não havia
se encontrado com sua legítima esposa nesses dose longos anos
e aparentemente parecia ter se esquecido dela.
Sarada
Devi, então com dezoito anos, entrou em seu quarto tarde da noite
depois de uma árdua jornada da sua aldeia natal na companhia
de seu pai. Ela tinha receios em seu coração devido aos
rumores que tinha ouvido em sua aldeia sobre a transtornada condição
mental de seu marido, e sobre o seu conhecimento da completa indiferença
que ele demonstrava pelos assuntos mundanos. Mas Sri Ramakrishna, embora
um pouco surpreso com a sua chegada inesperada, a acolheu com muita
cordialidade, acomodando-a em seu próprio quarto para facilitar
ao atendimento médico e cuidados necessários ao seu corpo
acometido pela doença e pela fadiga durante a longa caminhada.
Ela reconheceu nele o mesmo amável e divino marido que havia
conhecido durante as suas visitas anteriores à aldeia. Um dia,
quando ela estava mais confortável, Sri Ramakrishna lhe falou
assim:
'Quanto
a mim, a Divina Mãe mostrou-me que Ela habita em toda mulher,
e sendo assim, aprendi a olhar para toda mulher como Mãe. Essa
é uma idéia que posso ter sobre você; mas se você
deseja me arrastar para o mundo, como me casei com você, estou
a seu dispor.'
A
essa complicada questão de seu marido divino, Sarada Devi deu
esta simples resposta:
'Por
que eu desejaria arrastar sua mente para o plano mundano? Eu vim somente
para ajudá-lo no caminho escolhido. Desejo apenas viver com você,
servi-lo e aprender com você.'
Esta
resposta de sua pura e imaculada esposa agradou imensamente a Sri Ramakrishna,
que experimentou uma grande ascensão de força espiritual.
Sua missão, no mundo, de fazer a humanidade se tornar consciente
da sua natureza divina inata não seria um esforço solitário;
ele reconheceu em Sarada Devi uma companheira em sua nobre missão;
com um ano da sua chegada, ele confirmou a verdade desta elevada consideração
da sua esposa através do Shodasi puja em 1872. Desde então
até o final da vida dele, por quatorze anos inteiros, Sarada
Devi serviu a pessoa de Sri Ramakrishna e a um grande número
de discípulos e devotos que o visitavam, com uma rara devoção
e uma impessoalidade sem par na história humana. Foi também
o período da sua intensa educação espiritual sob
a orientação de seu divino esposo. Ela se referia a este
período como uma experiência contínua de intensa
felicidade. Por meses viveram no mesmo quarto e dormiram na mesma cama,
sem qualquer traço de pensamento carnal em mente. Suas mentes
planavam constantemente na região da divina consciência
e felicidade; cada um foi transfigurado pelo outro; e ambos se tornaram
instrumentos para o cumprimento da vontade divina. O imenso reservatório
de energia espiritual--divina shakti—que foi gerada pelas sâdhanâs
de Sri Ramakrishna e Sarada Devi encerram a promessa da evolução
espiritual da humanidade moderna que lamentavelmente sente sua trágica
pobreza espiritual em meio à abundante riqueza material.
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Jayrambati,
1913 |
Seu Papel como Mestra Espiritual
Sri Ramakrishna deixou este mundo em 1886. Sarada Devi tinha então
trinta e três anos. Tendo vivido num plano não físico
de relacionamento com seu marido, ela não experimentou o sentimento
de viuvez quando da morte deste. Para ela, ele continuou a ser uma realidade
vivente até o final dos seus dias. E pelos trinta e quatro anos
seguintes, ela viveu uma vida complexa em seus papéis e variada
em sua riqueza, doce e silenciosa, que ganhou para si o carinhoso título
de 'Sri Ma', 'a Santa Mãe', pelo qual passou a ser conhecida.
Ela foi convocada a ser a guia espiritual dos monges da Ordem Ramakrishna,
constituída inicialmente pelos discípulos diretos de Sri
Ramakrishna sob a liderança do Swami Vivekananda; e a ser guru
de um crescente círculo de homens e mulheres famintos de espiritualidade.
Sua eminência espiritual e o poder divino da sua personalidade
capacitaram-na a desempenhar este significativo papel com facilidade
e naturalidade. Mas foi no papel de uma mulher do lar, no seio do seu
próprio círculo familiar constituído por seus irmãos
de sangue, cunhadas, e sobrinhos, que a santa mãe manifestou
uma faceta exclusiva do seu caráter e personalidade. É
este aspecto da sua personalidade que provê um magnífico
exemplo de espiritualidade prática capaz de inspirar a todos
os homens e mulheres. A monja brilhou através da dona de casa,
e ambas brilharam através do coração de uma mãe
amantíssima. Longe de se esquivar de um mundo de distrações,
ela o abraçou, envolvendo-o em seu amor. E no meio de milhares
de distrações, preservou a naturalidade e a paz de sua
personalidade.
Sua Maternidade de Natureza Divina
Verificação é prova de uma teoria ou de uma afirmação.
Somente o teste da vida demonstra a genuinidade de uma virtude moral
ou de um valor espiritual; virtudes são melhor examinadas no
infortúnio que na boa fortuna. É bastante fácil
manter-se a postura e a elegância nos bons tempos; mas é
somente no mau tempo que comprovamos a sua genuinidade. A tranqüilidade,
postura, elegância, e o espírito de amor incondicional
e serviço impessoal, que Sarada Devi expressou em sua vida diária
no contexto de um ambiente altamente perturbador de total materialidade,
a possessão deste poder por um homem ou uma mulher os torna puros
e santos. A expressão deste poder na vida é amor.
Sarada Devi foi a verdadeira personificação desta pureza,
santidade, e amor que é o significado do ideal de maternidade
em sua melhor e mais elevada acepção. Sua pureza está
incorporada no coração de cada mulher. Uma mulher comum
apreende em sua vida somente uma fração deste ideal pelo
qual ela resplandece em terna amabilidade e santidade. Uma função
meramente biológica se torna elevada graças ao insuflo
de um valor espiritual. Mas este valor espiritual resplandeceu em sua
plenitude, ainda que fora do contexto biológico, na personalidade
da Santa Mãe, demonstrando por isso o ideal em sua forma simples.
Fora a abundância do seu coração, ela deu seu amor
a todos sem qualquer distinção, justificando assim o carinhoso
epíteto de ‘Santa Mãe’.
Fora
do comum em todos os valores básicos de caráter e personalidade,
porém ocultando-os sob o manto da simplicidade na esfera do físico
e social, a Santa Mãe ilude a compreensão das mentes comuns,
mas revela a sua verdadeira forma a todos os buscadores dos valores
fundamentais. Não disse Sri Ramakrishna sobre ela? 'Ela é
Sarasvati, a deusa da Sabedoria, que veio para distribuir conhecimento
espiritual à humanidade.' E não disse ela com respeito
si mesma: 'Sri Ramakrishna deixou-me aqui para manifestar o ideal da
Maternidade Divina.'
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Calcutá,
1905 |
Alguns Ensinamentos
Trabalho
e Pureza Mental
¤ Deve-se
trabalhar sempre. É só através do trabalho que
se consegue remover a escravidão às ações,
e não evitando o trabalho. O desapego total vem mais tarde.
Não se pode existir, mesmo que por um momento, sem trabalho.
¤ (Para
uma pessoa que displicentemente atirou de lado a vassoura depois de
ter varrido o pátio) “O que é isto? Você
atira fora a vassoura, com este desrespeito, depois de ter terminado
sua tarefa. O mesmo tempo que se gasta para atirá-la de lado,
gasta-se para colocá-la gentilmente no seu canto. Não
se deve tratar aos objetos com menosprezo, ainda que possam ser insignificantes.
Você vai precisar novamente daquela vassoura? Mesmo uma tarefa
insignificante deve ser executada com respeito.
¤ Devemos
ser pacientes com tudo, porque tudo o que obtemos de positivo é
determinado pelas ações. Além disso, as ações
são anuladas por outras ações.
¤ Discípulo
: "Podem mesmo, ações anularem outras ações?"
Santa
Mãe: "Por que não? Se você leva a cabo uma
boa ação, esta neutralizará sua má ação
passada. Os pecados do passado podem ser anulados pela meditação,
japa e por pensamentos espirituais."
¤ Quantos
há que conseguem meditar e praticar japa todo o tempo? A princípio
praticam estas disciplinas com seriedade, mas suas cabeças
se tornam irritadas mais cedo ou mais tarde, por estarem muito tempo
em seus tapetes de oração. Tornam-se muito vaidosos.
Também sofrem aflições mentais devido a estarem
refletindo sobre diferentes idéias ao mesmo tempo. É
muito melhor trabalhar que permitir a mente vagar a esmo. Enquanto
a mente consegue um espaço livre para vaguear, muita confusão
é criada. Meu Naren (Swami Vivekananda) pensou sobre tudo isto
e sabiamente fundou instituições onde as pessoas podiam
fazer trabalho desinteressado.
¤ Fora
de dúvida, você deve cumprir com suas responsabilidades.
Isto mantém a mente em boa condição. Mas também
é muito necessário praticar japa, meditação
e oração. Deve-se praticar estas disciplinas ao menos
pela manhã e ao anoitecer. Tal prática é como
o leme da barca.
¤ Os
chefes de família não necessitam da renúncia
externa. Eles obterão espontaneamente a renúncia interna.
Mas algumas pessoas necessitam da renúncia externa.
¤ Por
que temer? Entregue-se a Sri Ramakrishna e se recorde sempre que Ele
o está amparando.
¤ É
verdade que ele faz tudo, mas pouquíssimos sentem assim. Estando
enlouquecidas pelo orgulho, as pessoas pensam que são elas
que estão fazendo tudo e que não dependem Dele. Deus
protege àqueles que dependem Dele de todos os perigos.
¤ Tal
é a fascinação do dinheiro que se você
se envolver demais nisto, se sentirá atraído por ele.
Você pode pensar que está acima do dinheiro e que jamais
se sentirá atraído por ele, uma vez que já o
tenha renunciado. Não, meu filho, nunca abrigue este pensamento
em sua mente. Através de uma pequeníssima brecha ele
entrará em sua mente e o estrangulará imperceptivelmente.
¤ O
rico deveria servir a Deus e a seus devotos com dinheiro; e o pobre
deveria adorar a Deus pela repetição do Seu nome.
¤ A
mente é tudo. É apenas na mente onde nos sentimos puros
ou impuros. As pessoas, antes de mais nada, devem assumir suas próprias
culpas e somente depois disto podem olhar para a culpa dos outros.
Pode algo realmente se produzir nos outros se você enumera as
suas faltas? Isto apenas o prejudica. Esta tem sido a minha atitude.
Por conseguinte eu não posso criticar aos outros. Se alguém
age frivolamente para comigo, tento me recordar daquela pessoa apesar
disto. Criticar aos outros! Jamais se deve fazer isto. O perdão
é de fato tapasya—austeridade espiritual.
¤ Não
se deve feriar aos outros nem mesmo em palavras. Nem mesmo uma verdade
desagradável deve ser dita desnecessariamente. Ao se aquiescer
à palavras rudes, nossa natureza se torna rude. Nossa sensibilidade
é perdida ao se perder o controle sobre a palavra. Sri Ramakrishna
costumava dizer, “Não se deve perguntar a um coxo como
ele se tornou coxo.”
¤ Deixe-me
dizer-lhe algo: Se você deseja paz mental, não critique
aos outros. Antes perceba as suas próprias faltas. Aprenda
a se familiarizar com todos. Ninguém é um estranho,
meu filho; o mundo inteiro é a sua família.
¤ Deve-se
ser tão paciente quanto a terra. Quantas iniqüidades são
cometidas sobre ela! E no entanto as suporta serenamente. As pessoas
também deveriam ser assim.
(Conselho dado a uma jovem viúva): Não seja íntima
de qualquer um. Não participe muito das funções
sociais da família. Diga, “Ó mente, resguarde
sempre a si mesma.
Instruções à Prática Espiritual
¤ Não
faça qualquer distinção entre mim e Sri Ramakrishna.
Medite e ore ao aspecto particular da divindade revelado a você.
A adoração termina com a absorção em meditação.
¤ Nem
o mantra, nem a escritura são de algum benefício; apenas
bhakti ou devoção realiza tudo.
¤ Seja
sincero em sua prática, palavras e ações. Você
se sentirá abençoado! Suas bênçãos
estão sempre se derramando sobre todas as criaturas na Terra.
É inútil pedir por ela. Pratique meditação
sinceramente e você compreenderá a Sua graça infinita.
¤ Deus
quer sinceridade, veracidade e amor. Efusões verbais não
O tocam.
Austeridades, adoração, peregrinação, a
obtenção de dinheiro — pode-se cuidar disto nos
dias da juventude… Na idade avançada, o corpo se deteriora.
A mente perde o seu vigor. É possível fazer qualquer coisa
naquela hora? É absolutamente apropriado que os jovens monges
do nosso mosteiro devam direcionar suas mentes para Deus desde a juventude.
Esta é a hora certa para eles fazê-lo. Meu filho, austeridades
ou adoração, pratique todas estas coisas imediatamente.
Será possível fazê-lo mais tarde? O que quer que
você deseje realizar, faça-o agora: este é o tempo
certo.
¤ Práticas
espirituais num local solitário são muitíssimo
importantes. Ore a Deus com lágrimas em seus olhos toda hora
que desejar esclarecimento ou se encontrar enfrentando dúvidas
e dificuldades. O Senhor removerá todas as suas impurezas, aliviará
a sua angústia mental, e concederá a sua iluminação.
¤ Quanto
mais intensamente a pessoa pratica disciplinas espirituais, mas rapidamente
alcançará a Deus… Aqueles que gastam seu tempo preguiçosamente,
sem praticar oração e meditação, levarão
um longo tempo para alcançá-Lo.
¤ Continue
a orar sem perder seu ânimo. Tudo acontecerá a seu tempo.
Por quantos ciclos os sábios do passado praticaram austeridades
para realizarem Deus, e você acredita que O alcançará
num segundo? É assim tão fácil realizar a Deus?
Mas desta vez Sri Ramakrishna apresentou um caminho fácil.
¤ Não
temos controle sobre a doença, mas mesmo em meio à doença
ou à intensa atividade, podemos pelo menos nos lembrar de Deus
e saudá-Lo.
¤ Se
você não chama por Deus — realmente muitas pessoas
nem sequer se lembram Dele – o que isto importa a Deus? É
a sua própria desgraça. Tal é a maya de Deus; Ele
os mantém ignorantes de Si dizendo, “Eles estão
bastante felizes, que fiquem assim!”
¤ Não
confunda a mente com muitas perguntas. Achamos difícil colocar
alguma coisa em prática, mas nos atrevemos em provocar a distração
enchendo a mente com muitas coisas.
¤ Se
a mente se sente descansada em um local particular, não há
necessidade de peregrinação.
¤ Se
você está constantemente em contato com os objetos do prazer,
está propenso para sucumbir à sua influência.
¤ Sri
Ramakrishna não falava de mais nada exceto de Deus. Ele costumava
contar-me, "Observe este corpo humano? Hoje ele existe e amanhã
não mais. E chegando a este mundo padece interminável
miséria e dor. Por que deveria alguém se preocupar em
ter um outro nascimento? Apenas Deus é eternamente verdadeiro.
Se alguém consegue chamar por ele, isto é bom. Ao se tomar
um corpo tem-se que sofrer devido aos incômodos que o acompanham!"
Consolações
¤ Não
tenha medo. O nascimento humano é repleto de sofrimento e tem-se
que suportar a tudo pacientemente, tomando o nome de Deus. Nada, nem
mesmo Deus na forma humana, pode escapar do sofrimento do corpo e da
mente.
¤ Veja,
meu filho, ninguém pode evitar de enfrentar os perigos da vida.
Dificuldades sempre aparecem, mas elas não duram para sempre.
Você verá que elas passam como a água sob uma ponte.
¤ Deve-se
experimentar os resultados do prarabdha karma [aquele karma das vidas
passadas que começou a dar frutos na vida presente]. Ninguém
pode escapar dele.
Mas japa ou repetição do santo nome de Deus minimiza a
sua intensidade. É como o caso do homem que estando destinado
a perder a sua perna, em vez disto sofre apenas a picada de um espinho
em seu pé. Por qual caminho pode o mal chegar àqueles
que se lembram sempre de Deus?
¤ Discípulo:
"A senhora é a Mãe de todos?"
Mãe:
"Sim."
Discípulo:
"Mesmo dos pássaros e animais?"
Mãe:
"Sim, destes também."
Discípulo:
"Então porque eles sofrem tanto?"
Mãe:
"Neste nascimento eles devem passar por estas experiências."
¤ Viva em santa companhia. Tente ser puro. E tudo será alcançado
gradualmente. Ore a Sri Ramakrishna. Eu estou com você. Por que
temer? No tempo certo Ele fará tudo para você.
Casa
em que nasceu a Santa Mãe
em Jayrambati |
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